Publicado em 07 de outubro de 2015, às 15h00
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Técnicos Estrangeiros no São Paulo
Osorio foi o 14º técnico estrangeiro do São Paulo; veja quem são todos eles
Em 85 anos de história, o clube conquistou títulos e revolucionou o futebol brasileiro com estrangeiros

A história do São Paulo Futebol Clube se inicia com a carreira de um técnico estrangeiro. Em julho de 1930 – ano de fundação do clube – o treinador uruguaio, Ramón Platero fez sua passagem pelo time paulista. No dia 20 de julho, Ramón iniciou sua trajetória que se estendeu por 52 jogos, dividida em duas passagens; a segunda foi no ano de 1940. O comandante foi campeão sul-americano pela seleção uruguaia em 1917, e em sua primeira passagem pelo São Paulo, o treinador participou do ano que amadureceu a base campeã do campeonato paulista de 31. Em 1940, o uruguaio não obteve resultados muito positivos.

Pouco tempo depois, o São Paulo recebeu o treinador Conrado Ross, outro uruguaio que ficou pelo clube nos anos de 1942 e 1943. Conrado ajudou a equipe a conquistar o vice-campeonato estadual de 1942 e iniciou o trabalho que teve sucesso com o campeonato paulista de 1943, esta conquista veio em mãos de mais um estrangeiro, o português Jorge Lima, conhecido como Joreca. Neste ano, a 'moeda caiu em pé', uma vez que a disputa entre os torneios paulistas ficou por muito tempo nas mãos de Corinthians e Palmeiras – fazendo alusão ao sistema do 'cara ou coroa'. Com Joreca, o São Paulo conquistou os estaduais nos anos de 1943, 1945 e 1946, inclusive, tornou-se o técnico que mais ganhou campeonatos paulistas pelo clube.

O próximo título conquistado por um estrangeiro, veio em 1953, com o técnico argentino Jim Lopes que em 1950, comandara a conquista do título paulista do Palmeiras. Quatro anos após a passagem de Lopes, o São Paulo recebeu o húngaro Béla Guttman que chefiou o time vencedor do estadual de 1957. Guttman trouxe em sua bagagem um futebol revolucionário, que não marcou somente a história do futebol tricolor, mas também, nacional. Além de já ter um histórico de vitórias – dois Campeonatos Húngaros (1938-1939) e uma Copa Mitropa (1939) – o técnico colocou em prática, no Brasil, um inédito sistema tático de jogo até então: o 4-2-4. Além disso, adaptou o clube com novas rotinas de treinamento, como a prática de treinos com mais de uma bola em campo. Em 1958, a Seleção Brasileira conquistou o primeiro título mundial da Suécia com Vicente Feola no comando da façanha, o mesmo que já havia passado pelo São Paulo e declarado que tudo que sabia de sistema ofensivo, aprendeu com o húngaro Guttman.

Ídolo da equipe como goleiro, o argentino José Poy estreou como técnico em 1964 e, entre idas e vindas seu feito principal aconteceu em 1975, quando o São Paulo conseguiu alcançar o maior número de jogos invictos de sua história – são 47 partidas. Em 1949, Poy estreou no São Paulo como goleiro, sendo o sexto mais presente em jogos na história do clube. Atrás somente de nomes como Teixeirinha, Roberto Dias, De Sordi, Waldir Peres e o, até agora imbatível, Rogério Ceni. O argentino ficou embaixo das traves durante 520 partidas e comandou o time como técnico por 368 jogos, ocupando o quarto lugar da lista dos técnicos que mais comandaram o São Paulo.

Em 1990, mais um ex-jogador comandou o clube. O técnico uruguaio Pablo Forlán – pai do atacante Diego Forlán – fez sua curta passagem de 30 jogos. Antes disso, Forlán permaneceu no time por 240 partidas, porém na função de lateral-direito, nos anos de 1970 e 1976.

Em 1977, o também ex-jogador Darío Pereyra veio do Uruguai para reforçar o meio de campo da equipe são-paulina. Sua passagem pela equipe como atleta, levou quatro paulistas para a conta (1980, 1981, 1985 e 1987). No ano de 1997, Darío se fixou como técnico, conquistando o vice-campeonato paulista. Antes de Osorio, Roberto Rojas foi o último estrangeiro a comandar a equipe, no ano de 2003, quando o chileno levou o São Paulo de volta à Libertadores da América após 10 anos sem disputá-la. Sua passagem como técnico durou 50 jogos.

Pelo São Paulo, já se passaram 14 técnicos estrangeiros. Continuando o ciclo no ano de 2015, com a trajetória do colombiano Juan Carlos Osorio. O treinador marcou a história são-paulina com um estilo de comando inovador. Iniciou seu trabalho com a equipe no dia 6 de junho de 2015, em partida válida pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro da Série A, vencendo do Grêmio por 2 a 0. Osorio testou diversas formações à frente do clube e promoveu mudanças no sistema tático, utilizando jogadores em posições diferentes de suas originais. O treinador deixou a equipe para comandar a seleção mexicana. Foram 28 jogos, 12 vitórias, sete empates e nove derrotas.

Confira quais foram os 13 técnicos estrangeiros que passaram pelo São Paulo: 

Ramón Platero (HUN) | Estreia: 20/jul/1930 | 52J (25V, 10E, 17D)
Eugenio Marinetti (HUN) | Estreia: 22/mai/1932 | 12J (11V, 1E)
Ignácio Amsel (HUN) | Estreia: 02/abr/1939 | 18J (7V, 2E, 9D)
Conrado Ross (URU) | Estreia: 07/mar/1942 | 49J (27V, 12E, 10D)
Joreca (POR) | Estreia: 16/mai/1943 | 167J (11V, 31E, 25D)
Jim Lopes (ARG) | Estreia: 13/jun/1953 | 109J (68V, 19E, 22D)
Béla Guttman (HUN) | Estreia: 23/mar/1957 | 94J (46V, 28V, 20D)
Armando Renganeschi (ARG) | Estreia: 03/ago/1958 | 56J (33V, 14E, 9D)
José Poy (ARG) | Estreia: 16/jan/1964 | 368J (190V, 115E, 63D)
Pablo Forlán (URU) | Estreia: 27/mai/1990 | 30J (12V, 11E, 7D)
Darío Pereyra (URU) | Estreia: 20/abr/1997 | 63J (25V, 22E, 16D)
Roberto Rojas (CHI) | Estreia: 07/mai/2003 | 50J (28V, 11E, 11D)
Juan Carlos Osorio (COL) | Estreia: 06/jun/2015 | 28J (12V, 7E, 9D)